NOSSA
HISTÓRIA
A Igreja Presbiteriana
do Brasil é uma federação de igrejas
que têm em comum uma história, uma forma
de governo, uma teologia, bem como um padrão
de culto e de vida comunitária. Historicamente,
a IPB pertence à família das igrejas reformadas
ao redor do mundo como fruto do trabalho missionário
da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos. É
a mais antiga denominação reformada do
país, tendo sido fundada pelo missionário
Ashbel Green Simonton (1833-1867), que aqui chegou em
1859. O nome “igreja presbiteriana” vem
da maneira como a igreja é administrada, ou seja,
através de “presbíteros” eleitos
democraticamente pelas comunidades locais, as quais
são governadas por um “conselho”
de presbíteros e estes oficiais também
integram os concílios superiores da igreja, que
são os presbitérios, os sínodos
e o Supremo Concílio.
Quanto à sua teologia, as igrejas presbiterianas
são herdeiras do pensamento do reformador João
Calvino (1509-1564) e das notáveis formulações
confessionais elaboradas pelos reformados nos séculos
16 e 17. Dentre estas se destacam os documentos elaborados
pela Assembléia de Westminster, reunida em Londres
na década de 1640. A Confissão de Fé
de Westminster, bem como os seus Catecismos Maior e
Breve, são adotados oficialmente pela IPB como
os seus símbolos de fé ou padrões
doutrinários. Entre as suas ênfases estão:
a soberania de Deus, a eleição divina,
a centralidade da Palavra e dos sacramentos, o conceito
do pacto, a validade permanente da lei moral e a associação
entre a piedade e o cultivo intelectual.
O culto presbiteriano caracteriza-se por sua ênfase
teocêntrica, simplicidade, reverência, conteúdo
bíblico e pregação expositiva.
Entretanto, quando se diz que o culto reformado é
solene e respeitoso, não se implica com isso
que deva ser rígido e sem vida. O verdadeiro
culto a Deus é também fervoroso e alegre.
A IPB também valoriza a educação
cristã dos seus adeptos através da Escola
Dominical e outros meios; congrega os seus membros em
diferentes sociedades internas para comunhão
e trabalho de acordo com a idade; tem a consciência
de possuir uma missão dada por Deus, a ser cumprida
através da evangelização e do testemunho
cristão. Cada igreja possui um grupo de oficiais,
os diáconos, cuja função primordial
é o exercício da misericórdia cristã.
O presbiterianismo tem uma visão abrangente da
vida, entendendo que o evangelho de Cristo tem implicações
para todas as áreas da sociedade e da cultura.
DE ONDE VIEMOS?
O presbiterianismo nasceu da Reforma Protestante
do século 16. Tendo o protestantismo começado
na Alemanha, sob a liderança de Martinho Lutero.
Pouco depois surgiu uma segunda manifestação
sob a direção de outro ex-sacerdote, Ulrico
Zuínglio (1484-1531). Esse novo movimento ficou
conhecido como a Segunda Reforma ou Reforma Suíça.
O entendimento de que a reforma suíça
foi mais profunda em sua ruptura com a igreja medieval
e em seu retorno às Escrituras fez com que recebesse
o nome de movimento reformado e seus simpatizantes ficassem
conhecidos simplesmente como “reformados”.
Poucos anos depois da morte de Zuínglio surgiu
o francês João Calvino (1509-1564), que
concentrou os seus esforços na cidade suíça
de Genebra, onde residiu durante 25 anos. Através
da sua obra magna, a Instituição da Religião
Cristã ou Institutas, comentários bíblicos,
tratados e outros escritos, Calvino traçou os
contornos básicos do presbiterianismo, tanto
em termos teológicos quanto organizacionais,
à luz das Escrituras Sagradas.
Graças aos seus escritos, viagens, correspondência
e liderança eficaz, Calvino exerceu enorme influência
em toda a Europa e contribuiu para a difusão
do movimento reformado em muitas de suas regiões.
Dentro de poucos anos, a fé reformada fincou
sólidas raízes no sul da Alemanha, na
França, nos Países Baixos (as futuras
Holanda e Bélgica) e no leste europeu, onde surgiram
comunidades reformadas em países como a Polônia,
a Lituânia, a Tchecoslováquia e especialmente
a Hungria.
Outra região da Europa em que a fé reformada
teve ampla aceitação foram as Ilhas Britânicas,
particularmente a Escócia, cujo parlamento adotou
o presbiterianismo como religião oficial em 1560.
Para tanto foi decisiva a atuação do reformador
João Knox (1514-1572), que foi discípulo
de Calvino em Genebra. Foi nessa região que surgiu
a designação “igreja presbiteriana”.
Na Inglaterra e na Escócia dos séculos
16 e 17, o presbiterianismo representou uma posição
ao mesmo tempo teológica e política. Com
esse termo, as igrejas reformadas declaravam que não
queriam uma igreja governada por bispos nomeados pelos
reis (episcopalismo), e sim por presbíteros eleitos
pelas comunidades. Foi na Inglaterra que, em meio a
uma guerra civil, o parlamento convocou a Assembléia
de Westminster (1643-1649), que elaborou os documentos
confessionais mais amplamente aceitos pelos presbiterianos
ao redor do mundo.
Nos séculos 17 e 18, milhares de calvinistas
emigraram para as colônias inglesas da América
do Norte. Muitos deles abraçavam a teologia de
Calvino, mas não a forma de governo eclesiástico
presbiterial proposta por ele. Foi esse o caso dos puritanos
ingleses que se estabeleceram na Nova Inglaterra. Ao
mesmo tempo, as colônias norte-americanas também
receberam muitas famílias presbiterianas emigradas
da Escócia e do norte da Irlanda. Foram essas
pessoas que eventualmente criaram a Igreja Presbiteriana
dos Estados Unidos, cujo primeiro concílio, o
Presbitério de Filadélfia, foi organizado
em 1706 sob a liderança do Rev. Francis Makemie,
considerado o “pai do presbiterianismo norte-americano”.
O primeiro Sínodo foi organizado em 1717 e a
Assembléia Geral em 1789. Em 1859, a Junta de
Missões Estrangeiras da Igreja Presbiteriana
dos Estados Unidos enviou ao Rio de Janeiro o Rev. Ashbel
Green Simonton, fundador da Igreja Presbiteriana do
Brasil.
REV. ASHBEL GREEN SIMONTON
Ashbel Green Simonton (1833-1867), nasceu em
West Hanover, no sul da Pensilvânia, e passou
a infância na fazenda da família. Eram
seus pais o médico e político William
Simonton e D. Martha Davis Snodgrass, filha de um pastor
presbiteriano. Ashbel era o mais novo de nove irmãos.
Em 1846, a família mudou-se para Harrisburg,
a capital do estado, onde Ashbel concluiu os estudos
secundários. Após formar-se no Colégio
de Nova Jersey (a futura Universidade de Princeton),
em 1852, o jovem passou cerca de um ano e meio no Mississipi,
trabalhando como professor. Voltando para o seu estado,
teve profunda experiência religiosa durante um
avivamento em 1855 e ingressou no Seminário de
Princeton, fundado em 1812. No primeiro semestre de
estudos, ouviu um sermão do Dr. Charles Hodge
que despertou o seu interesse pela obra missionária
no exterior. Concluídos os estudos, foi ordenado
em 1859 e chegou ao Brasil no dia 12 de agosto do mesmo
ano.
Pouco depois de organizar a Igreja Presbiteriana do
Rio de Janeiro (12/01/1862), o jovem missionário
seguiu em viagem de férias para os Estados Unidos,
vindo a casar-se com Helen Murdoch. Regressaram ao Brasil
em julho de 1863. No final de junho do ano seguinte,
Helen faleceu nove dias após o nascimento da
sua filha, que recebeu o seu nome – Helen Murdoch
Simonton. Com o passar dos anos, Simonton criou o jornal
Imprensa Evangélica (1864), organizou o Presbitério
do Rio de Janeiro (1865) e fundou o Seminário
Primitivo (1867), este último localizado em um
edifício de vários pavimentos junto ao
Campo de Santana.
No final de 1867, sentindo-se adoentado, o missionário
pioneiro seguiu para São Paulo, onde sua irmã
e seu cunhado criavam a pequena Helen. Seu estado de
saúde agravou-se e ele veio a falecer no dia
9 de dezembro, acometido de "febre biliosa",
conforme consta do seu registro de sepultamento. Seu
túmulo foi um dos primeiros do ainda recente
Cemitério dos Protestantes, no bairro da Consolação.
Anos depois, foram sepultados perto dele os ossos do
ex-sacerdote Rev. José Manoel da Conceição
(1822-1873), o primeiro pastor evangélico brasileiro.
Simonton e Conceição, um americano e um
brasileiro, foram os personagens mais notáveis
dos primórdios do presbiterianismo no Brasil.
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