REFORMA PROTESTANTE

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POR QUE A IGREJA PRECISA DE UMA NOVA REFORMA

A Reforma Protestante do Século XVI foi o maior movimento na igreja cristã depois do Pentecostes. Não foi uma inovação, mas uma volta ao cristianismo puro e simples, uma retomada da doutrina apostólica, um retorno às Escrituras. A igreja cristã havia se desviado da verdade, e introduzido doutrinas e práticas estranhas às Escrituras. O culto às imagens, a mediação dos santos, a veneração a Maria, a salvação pelas obras, o confessionário, o purgatório, as reliquias, as indulgências e a infalibilidade papal foram desvios gritantes que encontraram guarida na igreja. Urgia uma Reforma, e Deus preparou o momento e as pessoas certas para essa volta às Escrituras. No dia 31 de Outubro de 1517, o monge agostiniano Martinho Lutero, fixava nas portas da igreja de Wittenberg suas noventa e cinco teses contras as indulgências, deflagrando, assim, esse decisivo movimento.

Hoje, ao olharmos o cenário religioso brasileiro constatamos que a igreja evangélica precisa de uma nova Reforma. Desviamo-nos do caminho da ortodoxia. As verdades essenciais da fé evangélica estão ausentes de muitos púlpitos chamados protestantes. Novidades forâneas às Escrituras têm sido introduzidas nas igrejas sob a conivência de uns e o silêncio de outros. A igreja protestante já não protesta mais. Somos chamados de evangélicos, mas o puro evangelho está escasseando em muitas igrejas. Temos influência política, mas falta-nos autoridade moral. Temos poder econômico, mas falta-nos poder espiritual. Temos um explosivo crescimento quantitativo, mas falta-nos o crescimento qualitativo. Precisamos de uma nova Reforma. Alistaremos a seguir três motivos que exigem uma nova Reforma já.

1. Porque o liberalismo teológico tem assaltado muitas igrejas em nossa Pátria - O mesmo liberalismo que devastou as igrejas na Europa, e na América do Norte chegou às terras brasileiras, e seu fermento maldito está presente em muitos seminários, e este veneno letal tem sido espalhado das cátedras para os púlpitos e dos púlpitos para os crentes e assim, muitas igrejas já não crêem mais na inerrância e suficiência das Escrituras. Em consequência desse colapso espiritual há algumas igrejas que defendem um concubinato espúrio entre cristianismo e evolucionismo, negando a realidade da criação, conforme registrada em Gênesis 1 e 2.

2. Porque o misticismo sincrético tem invadido muitos arraiais evangélicos - Temos visto a igreja evangélica brasileira capitular-se ao misticismo pagão. O verdadeiro evangelho está ausente de muitos púlpitos. Prega-se sobre prosperidade e não sobre salvação. Prega-se sobre curas e milagres e não sobre arrependimento e novo nascimento. O lucro substituiu a mensagem da salvação em muitas igrejas. Temos visto igrejas se transformando em empresas, o púlpito em balcão, o evangelho num produto e os crentes em consumidores. Além desse descalabro, muitas crendices têm substituído a verdade em não poucas igrejas. Esses crentes incautos têm se alimentado do farelo do sincretismo em vez de serem nutridos pelo Pão da Vida. Há crentes que olham para a Palavra de Deus como um livro mágico e consultam a Bíblia como se ela fosse um horóscopo. Há aqueles que colocam um copo d'água sobre o aparelho de televisão, enquanto o suposto homem de Deus ora, pensando que essa água "benzida" tem poder extraordinário. Essas práticas não são bíblicas e devem ser reprovadas. Urge certamente uma nova Reforma.

3. Porque muitas igrejas se acomodaram a uma ortodoxia morta - A Reforma restaurou não apenas a supremacia das Escrituras e a primazia da pregação, mas também, enfatizou a necessidade de uma vida piedosa. Não podemos separar a teologia da vida; a doutrina da prática; a ortodoxia da piedade. Não basta conhecer a verdade, precisamos ser transformados por essa verdade. Na Igreja Reformada encontramos teologia pura e vida santa.


Rev. Hernandes Dias Lopes

 

 

 

JOÃO CALVINO, O CÉREBRO DA REFORMA

Na próxima sexta-feira, dia 10 de julho de 2009, no mundo inteiro, os protestantes reformados estarão celebrando o quinto centenário do nascimento do reformador João Calvino. Ele nasceu no dia 10 de julho de 1509 na França e morreu no dia 27 de maio de 1564 em Genebra, na Suíça. Calvino foi o maior expoente da reforma. Influenciou não apenas a teologia, mas, também, a economia, a política e a educação. Destacaremos quatro áreas da vida desse gigante de Deus.

1. A teologia de Calvino - O reformador João Calvino foi o sistematizador da doutrina reformada. Aos 26 anos de idade escreveu As Institutas da Religião Cristã, fazendo uma exposição do Credo Apostólico. Esta obra tornou-se a maior referência teológica de todos os tempos. É muito importante ressaltar que Calvino não foi um inovador. Ele voltou à doutrina dos apóstolos. Ele voltou às Escrituras. Ele tinha um alto conceito da Palavra de Deus e esmerou-se em ensiná-la com irrestrita fidelidade. A influência de Calvino na teologia é tão destacada, que a doutrina reformada foi cognominada depois de sua morte de Calvinismo. No Sínodo de DORT, na Holanda, mais de cinqüenta anos depois da morte do reformador, cunhou-se o que nós chamamos de cinco pontos do Calvinismo: Depravação Total, Eleição Incondicional, Expiação Limitada, Graça Irresistível e Perseverança dos Santos.

2. A pregação de Calvino - Calvino foi um expositor bíblico. Pregou quase toda a Bíblia, usando o método lectio continua, expondo as Escrituras livro por livro, capítulo por capítulo, versículo por versículo. Calvino foi um exegeta extraordinário. Ele conhecia profundamente as línguas originais, a tal ponto de ler direto no Hebraico quando pregava no Antigo Testamento e direto no Grego quando pregava no Novo Testamento. Calvino pregava em média três vezes por semana. Ele foi essencialmente um pregador, um homem do púlpito. Para ele o púlpito era o trono de Deus na terra, de onde Deus governa o seu povo. Ouvir a exposição das Escrituras é ouvir a própria voz de Deus.

3. A prática pastoral de Calvino - Calvino não foi um homem sisudo, frio e distante das pessoas. Ao contrário, era um devotado pastor de suas ovelhas. Mesmo com uma agenda tão congestionada, ainda encontrava tempo para visitar o rebanho e orar com o seu povo. O ministério de Calvino abrangia um horizonte muito mais amplo do que apenas o cuidado da igreja local em Genebra. Ele era consultado por pastores e concílios de vários países para dar orientação à luz das Escrituras. Ele viajava para atender muitos convites. Calvino era um apologeta incomparável e ajudou a igreja do seu tempo a resolver os mais intrincados conflitos teológicos, sempre se pautando pela fiel exposição da Palavra. Mesmo atormentado por constantes dores e enfermidades, Calvino respondia inúmeras cartas, escrevia muitos livros e pregava com freqüência regular.

4. A influência social de Calvino - Calvino influenciou não apenas a igreja, mas, também, a sociedade como um todo. Ele fundou uma academia em Genebra, onde não faltou o curso de Teologia. Ele preparou missionários e os enviou para o mundo inteiro, inclusive para o Rio de Janeiro. Ele acolheu os foragidos de guerra e fez de Genebra um lar hospitaleiro para os que buscavam refúgio. Genebra foi transformada na mais esplêndida maquete do Reino de Deus na terra, sobretudo, pela pregação desse destemido reformador. Calvino influenciou a política, a cultura e a economia. Ele foi intelectual, sem deixar de ser piedoso. Ele foi um homem à frente do seu tempo. Depois de quinhentos anos de seu nascimento, ainda exerce decisiva influência em todo o mundo ocidental, especialmente no contexto das igrejas reformadas. Rendemos glórias ao nosso Deus por tão preciosa vida!


Rev. Hernandes Dias Lopes

 

 

 

REFORMA E REAVIVAMENTO

A Igreja Evangélica Brasileira precisa de uma nova Reforma. Muitos daqueles que se dizem protestantes já não protestam mais. Muitos daqueles que se autodenominam evangélicos têm transigido com a verdade e caído na malha sedutora do pragmatismo e das falsas doutrinas. Doutrinas estranhas têm encontrado guarida no arraial evangélico. Novidades forjadas no laboratório do engano têm sido acolhidas com entusiasmo por muitos crentes. Floresce em nossa Pátria uma igreja que tem extensão, mas não profundidade. Cresce em números, mas não em maturidade. Tem influência política, mas não autoridade moral. Faz propaganda de um pretenso poder, mas transige com o pecado.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa voltar às Escrituras. Muitos púlpitos estão sonegando aos crentes o pão verdadeiro e dando ao povo um caldo ralo e venenoso. Há aqueles que pregam o que o povo quer ouvir e não o que o povo precisa ouvir. Pregam para entreter os bodes e não para alimentar as ovelhas. Pregam para arrancar aplauso dos homens e não para levá-los ao arrependimento. Pregam prosperidade e não salvação. Pregam curas e milagres e não novo nascimento. Pregam auto-ajuda e não a ajuda do alto. Há muitas igrejas fracas e enfermas por estarem submetidas a um cardápio insuficiente e deficiente. A fraqueza e a doença começam pela boca. Há morte na panela. O veneno mortífero das heresias perniciosas destila em muitas cátedras teológicas. Muitos púlpitos espalham esse veneno e muitos crentes se intoxicam com ele. Precisamos colocar a farinha da verdade nessa panela, a fim de que o povo tenha pão com fartura na Casa do Pão.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa voltar às grandes doutrinas da Reforma. Precisamos reafirmar que a Escritura é verdadeira, infalível, inerrante e suficiente e não podemos acrescentar à sua mensagem as revelações, sonhos e visões que emanam de corações errantes. Precisamos reafirmar que a fé em Cristo é suficiente para a nossa salvação e não podemos acrescentar a ela as obras, os méritos nem o misticismo variegado tão incentivado em tantos arraiais. Precisamos reafirmar que a graça de Deus é a única base sobre a qual recebemos a nossa salvação. O homem não merece coisa alguma a não ser o juízo divino, mas de forma benevolente, Deus suspende o castigo e nos oferece seu favor imerecido. Precisamos reafirmar que não há outro nome dado entre os homens pelo qual importa que sejamos salvos, além do nome de Cristo Jesus. Precisamos reafirmar que a glória pertence a Deus e não ao homem, igreja ou instituição humana.

A Igreja Evangélica Brasileira precisa não apenas de Reforma, mas, também, de Reavivamento. Não basta ter doutrina certa, é preciso ter vida certa. Não basta ter apenas luz na mente, é preciso ter fogo no coração. Não basta apenas conhecimento, é preciso ter fervor espiritual. Não basta apenas conhecer doutrina, é preciso ser transformado e impactado por essa doutrina. A igreja de Éfeso tinha doutrina, mas lhe faltava amor. A igreja de Esmirna tinha amor, mas lhe faltava doutrina. Ambas foram repreendidas por Cristo. Precisamos de doutrina e amor, reforma e reavivamento. Não glorificamos a Deus com o vazio da nossa mente e a plenitude do nosso coração nem glorificamos a Deus com a plenitude da nossa mente e o vazio do nosso coração. Deus não é exaltado quando deixamos de conhecer a verdade nem Deus é glorificado quando deixamos de nos deleitar nessa verdade. Razão e emoção não são coisas mutuamente exclusivas. Elas se completam. A emoção que não provém de uma mente iluminada pela verdade é vazia, rasa e inconsistente. Uma mente cheia do conhecimento da verdade, todavia, que não exulta de alegria e santo fervor está, também, em total desacordo com a vontade divina. Oh! Que Deus nos desperte para o conhecermos verdadeiramente! Oh! Que Deus nos encha daquela alegria indizível e cheia de glória, a fim de que nos deleitemos nele e passemos a viver tão somente para a sua glória!


Rev. Hernandes Dias Lopes

 

 

E A REFORMA CONTINUA...

Neste mês de outubro comemoraremos mais um ano da Reforma do século XVI, quando Martinho Lutero divulgou suas 95 teses contra a venda de indulgências, nas portas da igreja de Wittenberg, na Alemanha, em 31/10/1517. Os ensinamentos da Reforma podem ser resumidos em cinco pontos:

1º) Só a Palavra de Deus: a Bíblia é a carta de amor que Deus nos enviou. É a verdade revelada ao mundo inteiro e enderaçado ao nosso coração. É o ensinamento do Senhor para convencer e converter as mentes e trazer todo o homem para a plena e verdadeira razão de Deus, pois “Lâmpada para os meus pés é a tua palavra, e luz para os meus caminhos” (Sl. 119:105). É orientação segura porque Jesus disse: “...a Escritura não pode falhar” (Jo. 10:35).

2º) Só a Graça de Deus: A Bíblia testifica que Deus é o Criador, que, do nada, tudo fez muito bom, porém o homem, sua principal criação terrestre, de forma ingrata se rebelou. A partir de então, todos nós temos a inclinação para o mal. A Bíblia diz: “pois todos pecaram e carecem da glória de Deus” (Rm 3:23). A Palavra de Deus diz também que o destino da humanidade é trágico: “...o salário do pecado é a morte...” (Rm 6:23). Muitos procuraram resolver o seu débito com Deus por meios ineficientes. Tentaram comprar a salvação por dinheiro, como na época das indulgências. Outros atualmente buscam, nas boas obras, alcançar mérito próprio diante de Deus, ou ainda crêem em reencarnação ou outras formas diferentes do que a Bíblia diz. Mas a salvação é imerecida, pois não pode ser comprada, como podemos ver: “Porque pela graça sois salvos, (...) não de obras, para que ninguém se glorie,” (Ef 2:8,9). A Graça de Deus é um presente imerecido: “...mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus nosso Senhor.” (Rm 6:23).

3º) Só a fé: a Bíblia diz: “o homem não é justificado por obras da lei, e, sim, mediante a fé em Cristo Jesus...” (Gl. 2:16). Jesus diz: “(...) arrependei-vos e crede no evangelho” (Mc 1:15). Foi assim que um dos ladrões recorreu, quando estava sendo crucificado junto com Jesus; ele verdadeiramente creu, arrependeu-se e se entregou a Jesus pela fé viva e autêntica. O Apóstolo Paulo afirma ainda: “Justificados, pois, mediante a fé, temos paz com Deus” (Rm 5:1). Diante do que foi dito, algumas pessoas podem questionar: basta ter fé em Jesus de qualquer maneira?

4º) Só Cristo: a resposta está na Palavra de Deus,”Quem crer em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de água viva” (João 7:38); portanto é preciso crer em Jesus Cristo como anunciado pela Bíblia. Ele é o único mediador: “Porquanto há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem.” (I Tm. 2:5). Ele é o único caminho: “Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim” (Jo. 14:6). Ele faz um convite maravilhoso: “Vinde a mim todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei (...) e achareis descanso para as vossas almas” (Mt. 11:28,29). É dessa forma que se pode experimentar o novo nascimento e assim entrar no Reino de Deus, porque Jesus disse: “Importa-vos nascer de novo.” (João 3:7). Outra pergunta pode ser feita: então é só crer e cruzar os braços?

5º) Só a Deus dar glória: a Bíblia diz “Meus irmãos, qual é o proveito, se alguém disser que tem fé, mas não tiver obras? Pode acaso, semelhante fé salvá-lo?” (Tiago 2:14). A exemplo de Abraão, que obedeceu a Deus, nós também devemos agir: “Vês como a fé operava juntamente com as suas obras;” (Tiago 2:22). As boas obras não devem ser praticadas com o objetivo de se obter mérito próprio (lembremo-nos do 2º ponto, Só a Graça), ou de buscar o engrandecimento diante dos homens, pois Jesus disse: “Guardai-vos de exercer a vossa justiça diante dos homens, com o fim de serdes vistos por eles;” (Mt 6:1). As boas obras são o caminho de uma vida convertida: “Pois somos feituras dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus de antemão preparou para que andássemos nelas” (Ef 2:10). A fé viva e autêntica é demonstrada, não por mero conhecimento da verdade e sim pela obediência aos mandamentos de Jesus que sempre busca a glória de Deus: “Não a nós, SENHOR, não a nós, mas ao teu nome dá glória...” (Sl. 115.1). Crendo no Senhor Jesus e vivendo o evangelho iremos glorificar a Deus: “a ele seja a glória, na Igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre. Amém.” (Ef 3:21).

Meditemos sobre essas verdades, pois, ainda que muitas preocupações atormentem o nosso cotidiano, Jesus mostra uma esperança, uma luz, uma saída, quando buscamos o Seu reino e Sua Justiça em primeiro lugar. Ele tem poder para salvar, livrar e abençoar. Comecemos com uma reforma na nossa vida íntima, para que possamos desfrutar das riquezas das doutrinas da Graça de Deus em Cristo Jesus, pois Deus promete: “ Mas para vós outros que temeis o meu nome nascerá o sol da justiça, trazendo salvação nas suas asas;...” ( Ml. 4.2)


Rev. Hernandes Dias Lopes

 

 

 

MARTINHO LUTERO, 488 ANOS DA REFORMA PROTESTANTE

A Reforma Protestante foi um movimento que visou trazer a igreja à pureza original do cristianismo segundo o Novo Testamento. Depois do Pentecostes, a Reforma do século XVI foi o maior movimento espiritual ocorrido dentro da Igreja. Representou uma volta à Bíblia, ao ensino dos apóstolos e, por isso, a rejeição total a qualquer doutrina sem base nas Escrituras.

Martinho Lutero (1483-1546) foi o instrumento que Deus usou para dar o brado da Reforma, depois que homens como John Wycliff, John Huss e Jerônimo Savonarola já haviam se dedicado a esta causa.

Lutero era filho de camponeses, tornou-se monge agostiniano e entrou para o convento de Erfurt, depois de uma dramática experiência numa tempestade, onde fez o voto de ser sacerdote se fosse poupado da morte. Buscava com avidez a salvação de sua alma. Em 1512, aos 29 anos, o texto de Romanos 1:17, “o justo viverá por fé”, abriu os olhos do seu coração para compreender a verdade de Deus. Ali ele descobriu a gloriosa doutrina da Justificação pela Fé.

Mais tarde, quando o papa Leão X estava construindo a basílica de São Pedro, seu emissário Johannes Tetzel foi à Alemanha vender indulgências, que ofereciam redução das penas do purgatório. Convencido pelas Escrituras de que o tráfico de indulgências desviava o povo da verdade, oferecendo-lhe falsas esperanças, Lutero decidiu enfrentar esse abuso e, no dia 31 de outubro de 1517, pregou nas portas da igreja de Wittenberg as 95 teses contra as indulgências.

Estava deflagrado o movimento da Reforma Protestante. Essas teses foram um golpe no poder papal e no poder da Igreja Romana que desviara da fé apostólica. As teses combateram o pretenso poder da Igreja de ser mediadora entre o homem e Deus, vendendo o perdão dos pecados.

Lutero foi excomungado pelo papa. Em 1521, em Worms, na Dieta Imperial, sob ameaça de morte, ele defendeu sua fé diante do imperador, clérigos, nobres, condes e embaixadores. A partir daí, o evangelho passou a ser pregado na língua do povo. Nos púlpitos e nos bancos das igrejas havia cópias da Bíblia traduzida por Lutero. Cantavam-se por toda a Alemanha hinos evangélicos e salmos, muitos dos quais escritos pelo próprio Lutero. Dentre eles, destacava-se a Marselhesa da Reforma, “Castelo Forte é o nosso Deus”.

Dentro de 30 anos, a igreja cristã na Alemanha tinha sido reformada, como ninguém jamais poderia ter sonhado. Os abundantes escritos de Lutero tiveram larga aceitação. E assim o movimento se espalhou pela Boêmia, Hungria, Polônia, Inglaterra, Escócia, França, Países Baixos, Escandinávia e até mesmo pela Espanha e Itália.

Deus levantou outros esteios da Reforma como João Calvino, Ulrico Zwinglio, John Knox e outros para darem continuidade a esse movimento reformador. A Reforma chegou até nós e hoje somos herdeiros desse bendito legado. Precisamos manter acesa a mesma chama que ardeu no coração desses gigantes do passado, mantendo pura a nossa consciência e firme a nossa fé, a fim de que as gerações pósteras possam herdar o fiel legado da verdade de Deus.


Rev. Hernandes Dias Lopes.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

OS PRINCÍPIOS BÁSICOS DA REFORMA DO SÉCULO XVI

A Reforma do século XVI foi uma volta às Escrituras Sagradas, um retorno à doutrina apostólica. Podemos sintetizar as ênfases da Reforma em cinco pontos distintos e axiais:
1. Sola Scriptura – Só as Escrituras – Os reformadores reafirmaram a supremacia das Escrituras sobre a tradição. A Bíblia é a única regra normativa de fé e conduta. Todas as doutrinas e ensinos forâneos ou estranhos às Escrituras devem ser rejeitados. A autoridade da igreja precisa estar debaixo da autoridade das Escrituras. Nenhum dogma ou experiência pode ser aceito se não tiver base na Palavra de Deus. Eis o que diz o artigo V da Confissão da Igreja Reformada da França, adotada em 1559: “Não é lícito aos homens, nem mesmo aos anjos, fazer, nas Santas Escrituras, qualquer acréscimo, diminuição ou mudança. Por conseguinte, nem a antiguidade, nem os costumes, nem a multidão, nem a sabedoria humana, nem os pensamentos, nem as sentenças, nem os editos, nem os decretos, nem os concílios, nem as visões, nem os milagres, devem contrapor-se a estas santas escrituras; mas, ao contrário, por elas é que todas as coisas se devem examinar, regular e reformar”.
2. Sola Fide – Só a Fé – Os reformadores sublinhavam também a supremacia da fé sobre as obras para a salvação. A salvação não é mérito humano, conquistado pela prática de boas obras, mas é obra de Deus, recebida de graça pelo homem mediante a fé em Cristo. A salvação não resulta da somatória de fé mais obras. A salvação é dom de Deus, recebida exclusivamente pela fé.
3. Sola Gratia – Só a Graça – Os reformadores reafirmaram a doutrina apostólica de que somos salvos pela graça. A graça é um dom imerecido de Deus a nós. O salário do pecado é a morte. Merecemos o juízo, a condenação, o inferno, mas Deus, pela sua infinita misericórdia, suspende o castigo que merecíamos e nos dá a salvação, que não merecemos. Isso é graça!
4. Solo Christu – Só Cristo – Os reformadores rejeitaram peremptoriamente a autoridade do papa sobre a igreja. O papa usurpa o lugar da Trindade. Ele usurpa o lugar de Deus Pai ao ser chamado de Pai da Igreja (Mt 23:9). Ele usurpa o lugar de Deus Filho ao ser chamado Sumo Pontífice (Supremo Mediador). A Bíblia diz que há um só mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo (1 Tm 2:5). Ele ainda usurpa o lugar de Cristo quando ele se auto-intitula a pedra fundamental da igreja sobre a qual a igreja foi edificada. Cristo e não Pedro é a pedra fundamental da igreja (Mt 16:18; At 4:11-12; 1 Co 10:4; 1 Pe 2:6-8). Além do mais, o papa não é um sucessor de Pedro, visto que não existe sucessão apostólica. Finalmente, o papa usurpa o lugar do Espírito Santo, quando se autoproclama o Vigário de Cristo na terra (o substituo de Cristo na terra). Essa posição é exclusiva do Espírito Santo (Jo 14:16-17; 16:7-14). O Espírito é o outro consolador que veio ficar para sempre com a igreja. Assim, a reforma resgatou a verdade infalível da supremacia de Cristo como o nosso salvador, mediador e rei. Por causa da obra de Cristo todos os salvos são sacerdotes reais. O sacerdócio universal dos crentes é uma verdade consoladora. Todos temos livre acesso à presença de Deus, por meio de Cristo. Desta forma, cai por terra toda hierarquia espiritual no Reino de Deus.
Soli Deo Gloria – Só a Deus a Glória – Os reformadores reafirmaram a doutrina bíblica de que Deus não reparte sua glória com ninguém. Somente ele deve ser adorado e honrado. Toda glória que é dada ao homem é vanglória, é glória vazia.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

 

 

OS PRINCIPAIS REFORMADORES DO SÉCULO XVI

A Reforma Protestante foi um movimento que trouxe a igreja de volta ao cristianismo apostólico. Foi uma volta às Escrituras e uma rejeição total a qualquer doutrina sem base na Palavra de Deus. Vários foram os instrumentos usados por Deus na Reforma do século XVI, mas dois homens se destacaram dentre os demais:

1. Martinho Lutero (1483-1546)
Ele era alemão, filho de camponeses; tornou-se monge agostiniano e entrou para o mosteiro em Erfurt. Buscava com avidez a salvação de sua alma. Em 1512, aos 29 anos, o texto de Romanos 1:17: “O justo viverá pela fé”, explodiu como bomba em seu coração. Ali, ele descobriu a gloriosa doutrina da justificação pela fé. Mais tarde, quando o papa Leão X estava construindo a basílica de São Pedro, seu emissário Johannes Tetzel foi à Alemanha vender indulgências, que ofereciam redução das penas do purgatório. Convencido pelas Escrituras de que o tráfico de indulgências desviava o povo da verdade, oferecendo-lhe falsas esperanças, Lutero decidiu enfrentar aquele abuso e, no dia 31 de outubro de 1517, pregou nas portas da Igreja de Wittenberg as 95 teses contra as indulgências. Estava deflagrado o movimento da Reforma. Essas teses foram um golpe no poder papal e no poder da igreja que se desviara da fé apostólica. As teses combateram o pretenso poder da igreja de ser mediadora entre o homem e Deus, vendendo o perdão dos pecados.
Em 1521, em Worms, na Dieta Imperial, sob ameaça de morte, Lutero defendeu sua fé diante do imperador, clérigos, nobres, condes e embaixadores. A partir daí, o evangelho passou a ser pregado na língua do povo. Nos púlpitos e nos bancos das igrejas havia cópias da Bíblia traduzida por Lutero. Cantavam-se por toda a Alemanha hinos evangélicos e salmos, muitos dos quais escritos pelo próprio Lutero. Dentro de trinta anos, a igreja cristã na Alemanha tinha sido reformada, como ninguém jamais poderia ter sonhado.

2. João Calvino (1509-1564)
Foi o grande cérebro da Reforma e o sistematizador das doutrinas reformadas. Filho de um rico advogado francês ligado ao clero, Calvino recebeu formação humanista. Em 1533 declarou-se protestante e teve de fugir de Paris em virtude de inesperada perseguição. Calvino escreveu inúmeras obras, dentre elas comentários sobre quase todos os livros da Bíblia. Aos 26 anos, escreveu a principal obra da Reforma As Institutas da Religião Cristã. Esta obra foi dirigida a Francisco I, rei da França, numa tentativa de defender os protestantes daquele país, que acabaram sendo perseguidos, torturados e mortos por causa de sua fé em Cristo. Cerca de 200 mil huguenotes, calvinistas franceses, morreram na França, vitimados pela perseguição, especialmente sob o governo de Catarina de Médici.
Convidado por Guilherme Farel em 1536, Calvino ficou em Genebra para ajudar na implantação da Reforma naquela cidade. A cidade não madura para a Reforma, rechaçou-os e expulsou-os. Calvino passou três anos em Estrasburgo, como pastor de uma igreja de protestantes franceses. Em 1541, voltou a Genebra, a pedido do povo, pois a cidade se corrompia galopantemente. Ali Calvino realizou uma extraordinária obra de pregação, ensino, disciplina e educação do povo. A cidade de Genebra foi transformada e tornou-se um celeiro de missionários para o mundo, inclusive enviando em 1557, a pedido de Villegaignon, quatorze missionários para o Brasil, cinco dos quais foram mortos como mártires do protestantismo em terras brasileiras. A influência de Calvino como teólogo e pensador extrapolou os horizontes da igreja e tem seus reflexos até hoje na história. Ele influenciou a economia com o seu humanismo social. E influenciou a educação ao criar um sistema educacional de primeira ordem; seus planos resultaram no estabelecimento de um sistema escolar livre e completo, culminando na academia, instituição de grau universitário, no qual não faltava o curso de teologia.

 

 

Rev. Hernandes Dias Lopes

 

 

A PREPARAÇÃO PARA A REFORMA DO SÉCULO XVI

A Renascença foi um movimento cultural, no
século XV, no norte da Itália, que abriu o caminho
para a Reforma do século XVI. Durante mil anos a
igreja viveu imersa em densas trevas, sem a luz da
Palavra de Deus. A Idade Média foi o tempo da
ascensão da igreja e da decadência da
espiritualidade. A igreja tinha poder econômico e
político, mas não poder espiritual.
Como senhor da história, Deus preparou o
berço para o surgimento da Reforma no século XVI.
A Renascença tocou em cinco pontos vitais naquele
tempo. Vejamos:
1. A Economia – Até a Renascença a Igreja Romana
tinha quase total controle sobre a economia. Na
Idade Média a igreja concentrava a riqueza em suas
mãos, enquanto recomendava o voto de pobreza
aos seus sacerdotes. Mantendo os fiéis no
analfabetismo e ignorância das Escrituras, também
os prendia à pobreza. Com o desenvolvimento da
navegação e a descoberta de novas terras, através
das viagens às Índias e a descoberta da América,
surgiu na Europa uma nova classe social, a
burguesia. A igreja deixou de ter o controle da
economia e o mundo abriu-se para novos horizontes
na área econômica.
2. As Artes – A igreja mantinha também absoluto
controle sobre as artes. Toda a arte tinha que ser
vazada pelas lentes do sagrado. Quando um pintor
ia traçar o perfil de uma pessoa, tinha que pintar o
rosto da pessoa com o corpo de um anjo. Entretanto,
surgem nesse tempo os luminares da escultura e
da pintura como Leonardo da Vinci e Miguel Ângelo.
Este esculpiu no mármore Davi, Moisés e Pietá. O
gênio da escultura cinzelou na pedra a beleza do
corpo humano sem obedecer os ditames da
sacralidade eclesiástica. Isso tirou as artes das mãos
da igreja. As pessoas podiam desenvolver seus dotes
naturais sem o controle eclesiástico.
3. A Política – Havia um verdadeiro concubinato
entre a política e a religião, entre o poder clerical e
confrontação do pecador com o Senhor Jesus
Cristo.
professam e o que elas praticam. Há um divórcio
entre
entre a política e a religião, entre o poder clerical e
o poder político. Na Idade Média havia um
casamento espúrio entre a Igreja e o Estado, entre
o papa e os reis. A igreja deixou de lado sua vocação
espiritual e começou a imiscuir-se em campo
alheio. Maquiavel escreveu “O Príncipe”, um livro que
foi um divisor de águas nessa questão. Ele mostrou
que o Estado deve ser leigo.Essa visão do laicismo
do Estado tirou das mãos da igreja o poder político.
4. A Ciência – A igreja sentia-se dona da verdade.
A ciência também estava nas mãos da igreja.
Quando o cientista Nicolau Copérnico proclamou
que o mundo era heliocêntrico e não geocêntrico,
a igreja contestou fortemente. Galileu Galilei foi preso
por essa convicção. Forçaram-no a negar suas
convicções para que sua vida não fosse ceifada.
Mas a verdade não pode viver prisioneira por longo
tempo. Assim, a igreja estava perdendo, também,
a sua hegemonia sobre a ciência.
5. A Religião – A religião estava sob rigoroso
controle de Roma. A igreja tinha em suas mãos a
administração da salvação. Através dos
sacramentos e da venda das indulgências, os fiéis
compravam o perdão de seus pecados a peso de
ouro, recebendo uma bula papal, outorgando-lhes
o desejado perdão. Até que o monge agostiniano
Martinho Lutero, sedento de Deus, e com a
consciência inquieta, leu nas Escrituras, que o justo
vive pela fé. Essa descoberta da verdade bíblica
não só libertou o monge, mas abriu as portas para a
Reforma Religiosa do século XVI. Quando Johannes
Tetzel, emissário do papa Leão X, vendia o perdão
dos pecados para angariar fundos para a
construção da basílica de São Pedro, Lutero deu o
brado da Reforma, afixando nas portas da Igreja de
Wittemberg 95 teses contra as Indulgências. Nascia,
ali, no dia 31 de outubro de 1517, a Reforma, o maior
movimento espiritual dentro da igreja de Cristo,
depois do Pentecoste.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

 

 

 

REFORMA, UM MOVIMENTO CONTÍNUO NA IGREJA

Um dos lemas da Reforma é “Igreja Reformada,
sempre reformando”. A Reforma não é estática, mas
dinâmica. O que isso não significa? Não significa relativismo
doutrinário. A Palavra de Deus é a única fonte de onde
emana as doutrinas que subscrevemos. A Palavra de Deus
é imutável, eterna e jamais pode falhar. Nossas convicções
doutrinárias não mudam para se adequarem às
transformações sociais. Não significa, também, relativismo
ético. Os princípios morais que abraçamos devem ser
regidos pela verdade de Deus e não pelos ditames da
sociedade. A Bíblia é que julga a cultura e não esta a Bíblia.
Então, o que significa a expressão: “Igreja
Reformada sempre reformando”?
1. A Igreja Reformada precisa fundamentar sua fé
nas Sagradas Escrituras
Dois grandes desvios conspiram contra esse
princípio: o Liberalismo e o Misticismo. Os liberais são
infiéis à Palavra de Deus na medida em que tentam esvaziála,
retirando dela o que nela está escrito. Negam a
infalibilidade das Escrituras. Duvidam da integridade de
seus registros. Fazem da Bíblia um livro meramente
humano, cheio de falhas e contradições. O liberalismo é
uma falsa religião. É uma negação do Cristianismo. Sua
procedência é satânica e devemos rejeitá-lo com todo o
vigor. Os místicos também são infiéis à Palavra de Deus
na medida que acrescentam à ela o que nela não está
escrito. Negam a suficiência das Escrituras. Sonegam ao
povo a Palavra de Deus, manipulando as pessoas com o
perigoso expediente dos sonhos, visões e revelações
forâneos às Escrituras. O misticismo alastra no meio
evangélico brasileiro. Os crentes não querem pensar,
querem sentir. O culto evangélico está se tornando sensório
e não racional. As pessoas não querem conhecimento, mas
experiência. Não buscam santidade, mas milagres. Não
têm fome da Palavra, mas vivem correndo atrás dos
marqueteiros da fé.
2. A Igreja Reformada precisa fundamentar sua ética
nas Sagradas Escrituras
Tem existido um grande abismo entre o que as pessoas
professam e o que elas praticam. Há um divórcio entre
professam e o que elas praticam. Há um divórcio entre
teologia e ética na igreja evangélica brasileira. Vivemos a
síndrome de Simão, o mágico na cultura evangélica: as
pessoas abraçam a fé, são batizadas, tornam-se membros
da igreja, mas não mudam de vida. Quanto mais cresce a
igreja, mais ela se torna desacreditada diante da
população. O problema é que onde a teologia é deficiente,
a ética é flácida. A teologia é a mãe da ética. A teologia
determina a vida. A Igreja Reformada tem valores morais
absolutos. Sua conduta é balizada pela Palavra e não pelo
pragmatismo. Sua ética é bíblica e não situacional. Não
podemos ser chamados de igreja evangélica se a nossa
conduta nega a fé que professamos, se nossas atitudes
conspiram contra o cristianismo que abraçamos.
Precisamos de uma reforma doutrinária e moral na igreja,
se queremos ser verdadeiramente uma igreja reformada
que glorifica a Deus e produz impacto no mundo.
3. A Igreja Reformada precisa fundamentar sua ação
evangelizadora nas Sagradas Escrituras
A Igreja foi redimida para adorar a Deus e tornar Deus
conhecido entre os povos. Ela foi chamada para fazer
discípulos de todas as nações. A Igreja Reformada tem
um profundo senso da sua vocação missionária. Ela
entende que o seu campo é o mundo. Ela não se desvia
do seu chamado nem se distrai com outras causas. Todo
crente é um ministro da nova aliança. Toda pessoa
alcançada pelo evangelho é desafiada a alcançar outros
para Cristo. Somos uma raça de sacerdotes reais. Não
somos expectatadores, mas agentes ativos na obra de
Deus. Infelizmente, muitos crentes que conhecem a
verdade sonegam-na ao povo; outros, desastradamente,
estão transformando o evangelho num produto de
consumo, a igreja numa empresa, os crentes em
consumidores, mercadejando, assim, o evangelho da
graça. Precisamos resgatar nossa herança reformada.
Precisamos sacudir de nós o jugo do comodismo para
nos tornarmos um exército de obreiros aprovados, prontos
a fazer a obra de Deus, no poder do Espírito Santo.

Rev. Hernandes Dias Lopes.

 

 

 

 

 

 

IGREJA REFORMADA SEMPRE SE REFORMANDO

A Reforma Protestante do Século XVI não foi uma inovação, mas uma volta às origens. A igreja havia se desviado da verdade e perdido o cristianismo puro e simples. Os dogmas papais haviam substituído a infalível Palavra de Deus. As heresias tomaram o lugar da verdade e a apostasia tomou conta da igreja. A Reforma, então, foi um movimento de retorno à Palavra de Deus e um resgate do evangelho pregado pelos apóstolos. Depois do Pentecoste não houve nenhum fato mais marcante na história da igreja do que a Reforma. Ela trouxe cinco ênfases:

1. Só a Escritura – A Bíblia não é apenas uma fonte da revelação de Deus ao homem, mas a única regra de fé e prática. As tradições humanas, os dogmas da igreja, as decisões dos concílios, bem como todo pensamento humano precisam passar pelo crivo da Palavra de Deus. Ela é a única autoridade da vontade revelada de Deus para o homem. Não são as experiências que julgam a bíblia, mas a Bíblia que julga as experiências. A igreja não está acima da Palavra, mas é governada por ela.

2. Só a Fé – A justificação é somente pela fé, independente das obras da lei. A base da salvação não é o esforço humano, mas o sacrifício substitutivo de Cristo na cruz. Recebemos a salvação oferecida por Deus pela fé e não como resultado das nossas obras. As obras são conseqüência da salvação e não a sua causa.

3. Só a Graça – A graça é um dom imerecido de Deus. Fomos escolhidos por Deus para a salvação não por causa dos nossos méritos, obras ou religiosidade, visto que éramos inimigos de Deus, estávamos cativos do diabo, do mundo e da carne. Estávamos cegos, perdidos e mortos nos nossos delitos e pecados. Mas, a despeito da nossa terrível condição, Deus nos amou e graciosamente nos salvou.

4. Só Cristo – A Reforma restabeleceu a verdade incontroversa de que existe um único mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo. Ele é o único Salvador e Senhor e não há salvação em nenhum outro nome. Jesus é o caminho para Deus. Ele é a porta do céu. Ele é o pão da vida, a fonte da água viva. O acesso a Deus não é por meio de Maria ou Pedro, nem mesmo por meio dos santos, mas, somente por meio de Jesus.

5. Só a Deus toda a glória – Deus não reparte a sua glória com ninguém. Ele e não o homem é o centro e a medida de todas as coisas. Dele, por meio dele e para ele são todas as coisas. Não é Deus quem vive para a glória do homem, mas é o homem que deve viver para a glória de Deus. Deus e não o homem é o centro do universo.
Mas a Reforma continua. A igreja reformada sempre deve se reformar. Em que sentido? Sempre que a igreja se desvia da verdade, ela precisa parar e confrontar sua teologia e sua vida à luz das Escrituras e voltar ao seu primeiro amor. Muitas vezes, ao longo da história, a igreja desviou-se das antigas veredas. Após a Reforma, no afã de defender a ortodoxia, a igreja tornou-se árida. Ortodoxia sem piedade produz racionalismo. A reação à frieza espiritual foi o Pietismo, que partiu para o outro extremo: buscou a piedade sem a ortodoxia. Piedade sem ortodoxia produz misticismo. Hoje, estamos precisando de uma nova reforma. Algumas igrejas estão descambando para o liberalismo teológico negando os postulados essenciais da fé. Outras, estão se desviando para o misticismo sincrético, importando novidades estranhas à Palavra de Deus, abraçando um outro evangelho e não o evangelho da graça. Há aquelas igrejas que caíram na sedução do pragmatismo, que estão buscando sucesso e resultado a qualquer custo. Trocaram a mensagem da cruz pela pregação da prosperidade e da cura. Estão mais fascinadas pela riqueza do que pela glória de Deus. Há ainda outras igrejas, que, embora, fiéis na doutrina estão vivendo sem piedade. Possuem uma ortodoxia morta. A crise na teologia desemboca na crise da ética. A igreja evangélica cresce em número, mas não em santidade. As pessoas correm aos borbotões para os templos evangélicos, mas suas vidas não são efetivamente transformadas. Na mesma medida em que a igreja evangélica cresce em nossa nação, cresce também a corrupção. Deixamos de ser sal e luz. Em vez de a igreja abalar o mundo, é o mundo que está abalando a igreja. Em vez de a igreja entrar no mundo para resgatar os que perecem, é o mundo que está entrando na igreja e influenciando os crentes. Ó que Deus tenha misericórdia de nós. Estamos precisando, e urgente, de uma nova reforma!

Rev. Hernandes Dias Lopes


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